domingo, 14 de novembro de 2010

Instruções para a Meditação



Passemos a considerar o verdadeiro método da Meditação e suas várias fases. Imaginai uma grande orquestra tocando uma majestosa sinfonia. Dessa orquestra participa um violino delicado, tocando em surdina, mas que não podemos ouvir. As vibrações mais vibrantes abafam-lhe o som. Se os instrumentos mais sonoros forem deixando de tocar, um por um, nem assim o violino será ouvido. Só quando todos deixarem de tocar, só então, subitamente, poderemos ouvir o violino tocando suavemente. Aos poucos, nossos ouvidos se habituam a ele, até que o volume de seu som seja claramente percebido.
Isso nos dá uma boa idéia do processo da meditação. O ser humano é como uma orquestra de vibrações diferentes. As mais fortes e ásperas correspondem às dos átomos do corpo físico e do cérebro. as mais sutis são as das emoções e dos pensamentos. O violino em surdina representa a mensagem da alma tentando passar por meio delas. Para ouvir a mensagem da alma é preciso que o resto da orquestra esteja em silêncio.
Todas as correntes entrecruzadas das sensações do corpo, os pensamentos, as lembranças, os desejos, as emoções, precisam acalmar-se, em completa passividade. O cérebro, então, precisa ser conservado em equilíbrio e ficar pronto para receber a impressão que a mente captou daquilo que mais conseguiu traduzir da mensagem da alma.
A alma é a intermediária do ego, entre o mundo do espírito e o mundo da matéria, o entreposto dos resultados das experiências adquiridas em ambos os domínios, cujas faíscas de conhecimento chegam até nós como "Consciência" ou inspiração. A alma foi comparada a um espelho, capaz de refletir o mundo do espírito para dentro do mundo físico, mas que, em geral, está muito embaciado com as pertubações vibratórias para poder fazê-lo.
A meditação sereniza as pertubações vibratórias da personalidade, e desanuvia o espelho. A primeira etapa na meditação consiste, portanto, no completo relaxamento do corpo...
A tarefa seguinte, que é mais difícil, consiste no controle de seu equipamento emocional e mental. É necessário que se deixe de lado qualquer emotividade, toda tensão, premência e ânsia de realização, toda ansiedade ou excitação a respeiro do que se tem em vista.
Resta, agora, o cérebro, essa indomável pequena máquina de escrever, que incessantemente imprime as impulsivas e apressadas multidões de formas-pensamento que fluem sobre ela no éter. O aspirante, com muita paciência e persistência, sem esforço, terá de apagar esses pensamentos, como se usasse uma esponja sobre um quadro-negro. Este processo também precisa ser continuado, até que possa ser feito inconscientemente, façanha muito difícil, que poderá exigir meses ou anos de exercício. Quando porém, isso for conseguido então a prática da Meditação se torna possível.
(Vera Stanley Alder)









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