sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Cérebro e o Coração

O cérebro e o coração são os dois grandes centros de comando da vida. Platão via a cabeça humana como uma miniatura do universo. Protegido pelo crânio, no ponto mais elevado do corpo humano, coordenando todas nossas sensações físicas, memória, reações, estado de espírito e posicionamentos, está o comando cerebral, que opera em total unidade com o sistema cardíaco-respiratório. O cérebro pesa um quilo e meio e reúne 14 bilhões de células. Por ele passa meio litro de sangue a cada minuto. Ele é lógico no seu hemisfério esquerdo, intuitivo e criativo no lado direito, emocional no seu setor límbico, e coordena as reações automáticas e padrões vibratórios em seu tronco, situado no topo da coluna vertebral. O cérebro é a coisa mais complexa e maravilhosa que a vida física do planeta Terra já criou.
Segundo a sabedoria oriental, há sete cavidades ou espaços vazios no cérebro. Neles existe apenas akasha, a luz astral. Cumprem uma função de ligação com o plano espiritual. A sabedoria egípcia diz, em linguangem simbólica, que esses ventrículos são "câmaras onde moram os deuses". De acordo com os antigos, o cérebro humano era um templo. A sabedoria esotérica afirma ainda hoje a mesma coisa. Os alquimistas consideram que as virtudes celestiais são captadas pela cérebro sob a forma de "orvalho". A tradição rosacruz e a cabala usam a mesma imagem ao descrever a intuição, pela qual o cérebro capta as vibrações da inteligência cósmica e da harmonia universal. O maná da Bíblia cristã é o mesmo orvalho da cabala e da alquimia. Em Êxodo 16:13-15, o alimento que cai do céu em forma de orvalho é, sobretudo, espiritual. No Evangelho de João (Jo, 6:33-35), Jesus confirma esse significado do orvalho como símbolo da inspiração espiritual que desce até a mente pura.
Além do cérebro, o outro grande comando visível da vida do corpo humano é o coração. Com 300 gramas de peso em média, o coração é do tamanho de um punho fechado e bate cerca de 90 mil vezes a cada dia que passa. Ele bombeia cinco toneladas de sangue no mesmo período, Quando recolhe o sangue venoso, que chaga a ele com gás carbônico e detritos, o coração o envia para o pulmão, que o devolverá purificado e rico em oxigênio. O coração então lança o sangue reciclado para todo o organismo. Não é à toa que o coração é símbolo de várias virtudes humanas, inclusive o heroísmo. Ele não para de trabalhar, rodeado e ajudado pelos pulmões, cuja eficácia é admirável.
Esotéricamente, o coração é a sede da vida. Ele é o sol do nosso corpo. A nossa vida foi confiada sobretudo a ele. Se no cérebro há um ponto em que pulsa a energia do Senhor Deus, no coração brilha um raio da luz de Cristo, Buda, a compaixão universal. É o coração que cria condições para que o cérebro receba do céu o orvalho divino. Cabe aqui fazer uma pergunda: O coração purifica o sangue, mas quem purifica o coração? Na verdade, ele depende do comportamento correto do resto do corpo para que possa estar saudável. Necessita que o corpo tenha quantidade adequada de exercícios, que a alimentação seja coreta e que as emoções e pensamentos sejam equilibrados para manter-se puro e assim dar condições ao cérebro de captar o orvalho da paz celestial. Os Upanixades, escrituras hindus, abordam esta questão:
"Quando o uso dos sentimentos é purificado, o coração se purifica. Quando o coração é purificado, existe uma constante lembrança do Eu superior. Quando existe uma constante lembrança do Eu superior todos os vínculos são desfeitos e a liberdade espiritual é alcançada".
Para os Upanixades, o coração é a sede da nossa consciência imortal, e nele mora Brahman, o Deus criador do Universo. O próprio princípio hermético da tradição egípcia, segundo a qual o cosmo inteiro está contido em cada uma das suas partes, pode ter sido inspirado pela sabedoria milenar dos hindus.
Diz o Chandogya Upanishad: "Dentro da cidade de Braman, que é o corpo, existe o coração, e dentro do coração existe uma pequena casa. Essa casa é como um lótus. Dentro dela mora aquilo que deve ser procurado, investigado e percebido".
No plano físico, esta moradia mística inclui os dois ventrículos ou cavidades que controlam o trabalho do coração. O ventrículo direito produz a contração que empurra o sangue usado de volta para os pulmões. O ventrículo esquerdo se contrai mandando o sangue novo e oxigenado para a aorta, de onde irá para todas as células do corpo. Em conjunto, os ventrículos controlam o ritmo da vida.(...)
(Autor: Carlos Cardoso Aveline)

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